Ghost Of Corporate Future

domingo, 19 de outubro de 2008

O porco é nosso amigo :)

Segundo o kit grátis que eu recebi de um site que prega a dieta vegetariana "pessoas inteligentes não comem o que tem olhos", ou seja, eles amam os animaizinhos :) Não entendi a propriedade que eles usaram nessa afirmação. Acho muito legal pessoas vegetarianas, mas detesto quem é vegetariano por pena dos animaizinhos. Fala sério, tudo no nosso planeta é vida e eu considero as plantas como vida! Só o que tem olhos merecem ser chamados de seres vivos? Não concordo.
Quando eu for responsável pela minha própria alimentação eu vou virar vegetariano, mas vou comer laticínios e ovos. Não por que eu gosto dos animais, mas porque eu quero ter uma boa saúde e acredito que a dieta vegetariana é um modo de prolongar a vida da humanindade na Terra. Pensa comigo, quantos hectáres de áreas florestais foram desmatadas pra servir de pasto pra gado bovino? Ok, agora pensa na quantidade de metano que esses bois e vacas liberam pra atmosfera. Agora pensa no pessoal do MST, nos latifundiários, na escravidão que é praticada no sul do Pará, na Síndrome da Vaca Louca, na gripe do frango. Pois é, isso são exemplos somente do Brasil. Agora pensa se tudo diminuísse, se as pessoas não fossem completamente loucas por carne e a reforma agrária fosse feita no país. Quantos problemas seriam resolvidos?
Todo mundo sabe que os vegetais, frutos, grãos etc são mais saudáveis, garantem maior qualidade de vida, reforçam o sistema imunológico, e forneçem muito mais energia. Agora pensa na quantidade de pessoas obesas no mundo, na mcDonalds, nos gastos em saúde pública com doenças ligadas à má alimentação. Tudo culpa da carne e da má educação nutricional que as pessoas têm. Vamos a algumas informações agora:
"O mesmo pedaço de terra que é usado como pasto, isto é, como alimento para o gado que serve para alimentar dez pessoas através da carne dos animais, serve para manter e alimentar 100 pessoas com painço, ervilhas, lentilhas e cevada." - Alexander VonHumbold (fundador da geografia científica)
Não precisa pensar muito pra chegar a essa conclusão, mas é claro, sem os dados numéricos. Quantas pessoas passam fome no mundo?
Agora vamos falar de proteínas, quem é um pouquinho mais ligado nesses assuntos de alimentação sabe que precisamos de proteína e a nossa maior fonte de proteína é a carne bovina, MAS podemos encontrar proteínas principalmente no feijão, ervilhas, nozes e, é claro, na soja. OUTRA informação importante é que proteínas demais faz mal e que já comemos proteínas mais do que necessárias na nossa alimentação diária.
(quem é vegetariano vegane tem carência de vitamina B12, que é uma molécula produzida somente por bactérias presentes no estômago das vacas de leite, por isso a grande saída é ser ovo-lacteo)
Não quero mudar a concepção de ninguém, só quero que as pessoas pensem mais nisso, e procurem se informar porque muita gente tem informações distorcidas sobre a dieta vegeteriana, e simplesmente não procuram se informar. Os seres humanos são onívoros, podem comer tanto carne como vegetais, mas o que é melhor pra nós? O que é melhor para o mundo?
Vamos deixar de ser hipócritas e ter consciência de que ainda vivemos em uma cadeia alimentar, que animais alimentam-se de outros animais todo o tempo, e que NUNCA vamos deixar de ser animais.
Meu tio é açougueiro e uma vez me levou pra um matadouro e eu vi uma das piores cenas, naquele momento eu entendi o que o Paul McCartney quis dizer quando disse que se os matadouros fossem de vidro todos seriam vegetarianos. É muito triste pessoal, é uma carnificina, brutalidade.
Faz muito, muito tempo mesmo que eu não como carne de porco, uma vez mataram um aqui no quintal, ele grunia demais, jogaram água fervendo nele, enquanto ele ainda tava vivo, pra sair os pêlos. Desde essa época eu não como mais porco.

"Nada beneficiará tanto a saúde humana e aumentará as chances de sobrevivência da vida na Terra quanto à evolução para uma dieta vegetariana" - Albert Einstein

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terça-feira, 7 de outubro de 2008

Política em fatos e opiniões

Política está super em alta, como eu não sei falar muito sobre política vou falar de alguns fatos que eu tenho conhecimento. Acho uma vergonha esse negócio de aliados, coisa mais falsa não poderia existir. O canditato Priante utilizou um discurso de apoio que o presidente Lula fez pra ele na sua campanha do primeiro turno, e o candidato Mário Cardoso usou um discurso do presidente Lula também. Como pode um presidente e dois candidatos se prestarem a isso? A canditata Valéria, há quatro anos atrás apoiava o candidato Duciomar e nessas eleições eles estão um contra o outro, como pode? Agora que o Duciomar e o Priante foram pro segundo turno a candidata Valéria vai apoiar o Priante, com quem lutou por um lugar no segundo turno, junto com o Mário Cardoso que vai apoiar o Priante agora também.
Ao que me consta o candidato Priante conta com o apoio do político mais influente e poderoso do estado do Pará: Jader Barbalho. No Almanaque Abril de 2002, a primeira reportagem é sobre a corrupção do senado e quem está lá? Sim, o Jader, e mesmo assim o povo do Pará ainda o apóia... Sinceramente, eu tenho vergonha de ter o nome do meu estado sujo assim, mas o que importa se ele pode dar uma sesta básica para ganhar a confiança dos pobres? Tudo o que passou é esquecido num instante. Infelizmente isso não acontece somente no estado do Pará.
Nunca vi nada contra o Priante, mas não gosto de vê-lo como um joguete do Jader Barbalho. Não gosto muito do Duciomar, uma vez a minha mãe trouxe algumas provas de que o Diploma de Médico dele era falso, coisa que eu não acredito muito, mas se for verdade ele não vale nada pra mim. A valéria é rica pra caramba, tem várias casas e mora no prédio mais caro de Belém, não deve saber muita coisa de política ou se importar com os pobres, então não gosto dela por isso. O Mário Cardoso não sabe nem falar e eu tenho um pouco de ojeriza do PT, mas gosto do Lula. A Marinor pra mim é whatever, nunca pensei muito nela e aquele que sempre fica em último delegado alguma coisa é excentrico demais. Num estado onde o slogan de um vereador é "Se você bebe, fuma e cheira, vote no caveira" nós estamos muito bem arranjados. O que é isso gente...
Há muito o Pará não se encontra no poder de Jader Barbalho, pelo menos não diretamente. Agora, seu filho, Helder Barbalho, ganhou as eleições para prefeito em Ananindeua, e a maior Avenida da cidade foi fechada por protestos civis contra as possíveis fraudes que ocorreram nessas eleições. Fraudes. O que seria a política sem as fraudes, sem os apoios que mudam de ano em ano, cada um tentando salvar o seu. A Lavina Vlasak tenta falar bonito nos comerciais, promessas são feitas e a festa da democracia acontece novamente, com pessoas sorrindo e bons perdedores, como deve ser. Ah a hipocrisia, como se todos não soubéssemos que tudo vai continuar na mesma, que tudo vai melhorar, mas em passos de formiga e sem vontade, num jeitinho típico brasileiro....
Ah, agora vamos falar do voto em sim, o que seria melhor: votar nulo ou em qualquer um? Vamos combinar e sermos bem sinceros uns com os outros, políticos são todos da mesma laia, se não são ainda vão ser. O voto que é dado para um candidato quer dizer: "Eu confio nele e acho que ele é menos pior que os outros" ou "Ele me deu dinheiro e ajudou minha família" ou "Preciso que ele continue no poder pra eu continuar no meu emprego" ou "Ele é meu parente". O voto em branco quer dizer: "Tanto faz, são todos a mesma coisa" ou "Que seja" ou "Não gosto de nenhum, mas não vou jogar meu voto fora, pois muitas pessoas lutaram pra o povo brasileiro ter esse direito". Voto nulo: "detesto política e só voto porque sou obrigado" ou "os políticos só me decepcionaram" ou "prefiro que ninguém se eleja e que todos os candidatos sejam trocados" ou "ninguém me convenceu" ou "políticos, pela condição de serem políticos não merecem minha confiança". Qual seria o mais justo? A democracia é realmente justa? Não existem políticos incorruptíveis? Esse é o Brasil pessoa, e isso é tudo.
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Não sou de esquerda nem de direita, não confio em ninguém e acho que sempre quando alguém tem muito poder nas mãos a situação sai de controle e a busca por mais poder é inevitáel. Todo mundo tem um pouco do "Cérebro' dentro de si e isso é perigoso. Detesto todo o tipo de apoio dado incondicionalmente a um partido ou político. Nunca esqueçam que todos caem um dia e que ninguém é perfeito ou incorruptível.

(Desculpa se o post ficou muito chato, mas eu queria falar sobre alguma coisa realmente séria aqui, mesmo que isso possa parecer irônico)

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sábado, 13 de setembro de 2008


Moro onde a primavera nunca existiu, onde as folhas não caem no outono e o céu nem sempre é bonito. Não um bonito convencional, mas bonito com tons de azul incomuns e peculiáres à cidade das magueiras, um céu de fim de tarde por muitas vezes alaranjado e brihante outras vezes rosado e calmo. Moro na cidade que nunca perde as cores, as cores vivas de verde, um verde perpétuo, que não parece ter fim, que sobrevive às duas estações, nem sempre bem definidas. Outro tom bem conhecido é o tom apaixonante de tranparente vivo que corta a cidade praticamente todos os dias, às vezes por muito tempo, às vezes por pouco tempo, mas sempre. Dando vida ao verde e dando fim à sede
Cidade das águas de março, que vêm batizar as ruas do comércio todos os anos. Cidade abençoada por santos, trabalhadores e crianças que ainda correm nas ruas brincando das mais diversas formas de diversão.
Quem se importa com sofás confortáveis, quando as calçadas de ladrilho são tão chamativas? quem se importa com roupas largas e quentes quando o sol e a chuva trabalham em perfeita harmonia? Quem se importa com a tristeza quando uma das felicidades é poder andar por uma trilha de pedrinhas brancas, protegido por árvores imensas e respirando um ar puro difícil de se encontrar em outros lugares?
É nessa cidade apixonante que as pessoas se apaixonam, onde é romântico olhar o rio das fronteiras, onde boas conversas vêm e vão junto com o sorvete do pôr-do-sol. É dessa cidade que o calor toma conta, brigando com a chuva que sempre luta por seu espaço, num céu incrivelmente infinito, lugar de todos. Cidade onde o ar é agradável e que a vida não é coisa passageira; é passada nas ruas, com pessoas, nas danças, nas praças. A vida passa lenta e proveitosamente nessa pequena cidade grande que chamamos de Belém do Pará.


Com todo carinho, muitas vezes não demonstrado.



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segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Closing In

Nunca mais tinha ouvido Closing In da Imogen Heap e estou fazendo isso agora. Fiz um deseno pra Ana Paula hoje (terminei hoje) e percebi que eu ainda não perdi (completamente) minha coordenação motora e que ainda sai alguma coisa bonita no meu papel se eu quiser realmente fazer. Conheci (de verdade agora) a Letícia lá da escola e do yvon, ela é uma pessoa super legal que não sei porque nunca tinha conversado direito. Estou meio sem criatividade hoje, então vou postar alguma coisa do livro que eu comecei a escrever e nunca terminei (mas pretendo terminar). Ah sim, falei da música por que foi ela que me inspirou a escrever algumas coisas no livro. Aí vai:


"- Você acredita no amor? – perguntou Ana rolando no lençol da cama, fazendo seu gorro vermelho cair no chão.

- Como assim? Acreditar? Amor não é nenhum ser mitológico que se escolhe acreditar ou uma história mal contada tentando nos convencer. Você quer dizer se eu já amei alguém, não é isso? – perguntou Daniel meio confuso observando aquela linda menina deitada de bruços na cama sorrindo para ele.

- Amou? – perguntou Ana depois de um tempo.

- Bom.. Eu não sei... Como posso saber? Cada um tem uma descrição diferente para o amor – respondeu o menino – se eu for levar em conta a minha descrição para o amor, acho que não...

- Eu não... Por ninguém, acho que é um sentimento muito puro, difícil de alcançar, quase inexistente – disse Ana olhando pro nada – as pessoas adoram dizer “eu te amo” a torto e a direito, acho que isso não é muito legal, ele deve ser sentido ou cochichado ao pé do ouvido, não gritado aos quatro ventos como muitos adoram fazer.

- Está vendo? Para algumas pessoas realmente não é tão difícil assim – disse Daniel – você não devia desprezar os sentimentos das pessoas, o amor é algo difícil de expressar, difícil de explicar, então cada um o faz da sua maneira, sendo a correta ou não."


Não sei porque escolhi essa parte, ia colocar uma parte em que a Ana fala sobre como as árvores devem se sentir entediadas sem sair do lugar, mudando de folhas num ciclo sem fim, só crescendo e crescendo. É mais ou menos como eu tô me sentindo, meio que sem sair do lugar, preso por um monte de coisas e cansado de tudo isso. Vai ver que é por isso que eu gosto de filmes, livros e músicas. No "Senhor dos Anéis" as árvores andam e até falam, não existem muitos espaços vazios nos filmes, sem música ou sem atores contracenando. Eu acho que a vida é um filme longuíssimo, nem sempre a trilha sonora é boa e nem sempre os atores estão bem dispostos e bem pagos, e sempre existem momentos em que nada acontece. O que é bom de tudo isso é que as histórias sempre terminam com um final feliz (ou mensão a tal) e é assim que a gente pensa que é a vida (pelo menos eu penso assim). Talvez seja isso que dá alguma força pra continuar, por isso eu gosto da arte, sabe? Dizem que a arte imita a vida e eu realmente espero que seja assim. Estou treinando a paciência. Beijos, ate outra hora.

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terça-feira, 26 de agosto de 2008

20 anos de neve

Um lugar de luzes vermelhas, com batons vermelhos e vestidos vermelhos, alguns rosas e um branco, para eventuais fantasias. Uma "lady" cantava uma música com piano e saxofones ao fundo e suspiros que vinham de longe depois de um "eu te amo" ou de uma taça de vinho. As luzes mudavam de cor quando ela entrava, cada paetê do vestido brilhava, os olhos da platéia brilhavam e os olhos da "lady" eram inexpressíveis, escuros como a noite e tristes como a vida. Ela tinha 20 anos de neve em sua pele, segurava o cigarro na hora da "intermission" e levantava lentamente a perna esquerda, e abaixava de novo, gargalhava baixinho. Os homens abriam as bocas e as moças riam-se. E a "lady" ria-se com os dentes amarelados. Ela tinha todos nas mãos, mas não queria nenhum. Ela era pura como a neve também. Não se permitia sentir nada, tinha aprendido a não sentir nada. Mentia, ria pra ganhar força que já lhe sobrava.
A noite passava lentamente e os casais se retiravam aos poucos, outros voltavam, outros se contentavam apenas com um bom vinho e a voz da "lady" que ecoava pelos poucos escuros corredores. Quando o sol começava a acordar e os carros começavam a sair na rua ela se retirava, cansada com toda a sua classe, mas sem nenhum fio do negro cabelo fora do lugar. Com a última nota ela fazia uma reverência, a si mesma. E todos a aplaudiam, assobiavam, jogavam as flores do enfeite do centro da mesa, gritavam e tudo o mais. E o que ela queria mais na vida - a única coisa que queria - era cantar novamente quando as cortinas vermelhas se abrissem no fim do dia, início da noite. Das noites que ela era a dona.



* "Lady" & 20 "Years of Snow"

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segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Blind Spot

É muito difícil de acreditar que eu estou triste quando eu estou triste, simplesmente porque eu não consigo ficar :) Sei lá, parece que eu fico mais engraçado. A Khoury não podia olhar pra minha cara que ela começava a rir, fiquei com pena dela porque ela não conseguiu fazer o execício de química direito por minha causa :( Como sempre, em todas as segundas e sextas eu descobri que sou burro em química, é sério, eu to com medo disso. O dia de hoje foi bem improdutivo, praticamente não tivemos aula. Um psicólogo foi falar com as duas turmas específicas, uma conversa chata sobre estudos, cobranças, sexo, drogas e rock & roll |..| Quando vão aprender que adolescentes não cotumam falar dessas coisas e que a nossa geração não é tão idiota quanto a deles? A gente já tem muito acesso a informação, e já passamos pela puberdade, não precisamos de ninguém pra dizer que cigarro faz mal e que os estudos são mais importantes. Pelo menos as turmas específicas, porque eu já soube de cada história daquele colégio. Acho que vai do grau de maturidade de cada pessoa saber o que é bom para si mesmo.
Se bem que a menina que fez sexo no banheiro do Ideal era uma aluna do militar, assim como o menino. Talvez eles tivessem ficado com medo de que isso virasse modinha e resolveram fazer essa palestra.

Falando em ideal, o Pedro disse que vai pra lá, junto com a Ana Paula e a Marina. Agora sim o universo vai ficar uma maraviha. Adoro a ironia, porque mesmo que a frase queira dizer o contrário as palavras são sempre positivas :) Eu fiquei pensando sobre isso hoje e descobri que não vou sentir falta do Pedro o.o Na verdade ele tá tão diferente do menino engraçado no ano passado. Talvez ele pense o mesmo de mim porque eu mudei muito - com ele. Acho que eu amadureci bastante do ano passado pra cá e teve gente que continuou na mesma, ele por exemplo.

Não agüento mais pessoas efusivas, saltinhos, revistinhas pequenas e músicas escrotas. Porque as pessoas têm que ser assim? Até a Iami quando soube que o Gabriel trouxe mais mangá pra ela ler ficou pulando. O que está acontecendo com os meus amigos? Essa é a grande parte da minha tristeza, saber que eu estou me afastando dos meus amigos por uma modinha passageira que eu me recuso a seguir. Vão-se todos ano que vem, talvez sobre só eu e a Iami. Talvez ela volte a falar que me ama ao invés de dizer que não gosta de mim por brincadeira.

(Hoje, indo pra parada)
- Tu sabe que eu não gosto de ti né, Patrick? - disse a Iami
- Olha, fica falando isso, de repente eu morro e tu vai ficar com remorso pro resto da tua vida - eu respondi.

Um aluno do Augusto Meira foi morto por assaltantes na frente da sua escola por reagir ao assalto. Sim, isso foi hoje, logo depois de eu chegar da escola. O Augusto Meira fica apenas há duas quadras do Universo. Quando vi isso no jornal pareceu que foi comigo ou que pudesse acontecer com qualquer um dos meus amigos. Por isso eu digo que eu amo pra quem eu amo.

Eu estou com péssimas expectativas pro resto da minha vida estudantil. Hoje eu vi o quanto eu fui capaz de mudar. Eu era CDF, o chefe da turma e queridinho dos professores, principalmente da de inglês e agora to com medo de ficar de recuperação e de até mesmo repetir por causa de química. Pois é, ficou maior do que eu pretendia, até mais.

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terça-feira, 19 de agosto de 2008

Nem importava se o chão do banheiro estava sujo, nem se tinha sopa fria pra requentar. Ela se deitou e deixou a água cair, como lágrimas, mas frias como gotas de chuva que caia lá fora. Era o único momento reservado para ela. Passava a mão pelas marcas de seu corpo nu, as estrias, os cortes, e se lembrava de cada uma, como uma se sua vida fosse uma Epopéia. Ainda lembrava que seu nome era Helena, mãe de um filho chamado Elvis, nome que fora dado pra resgatar toda a realza que lhe faltava na vida. Era mulher de um homem que a pesar de tudo ainda amava como no primeiro dia de chuva que eles se encontraram. Daí pra fente fora so chuva, os fósforos riscados já haviam se apagado, a maioria, alguns ainda sobravam. Mas alguns sopros de fantasias e desejos eram o suficiente para apagá-los pra sempre. O que seria de uma pessoas sem sonhos e desejos? Era melhor viver no escuro e ter algum querer.
A vontade de começar tudo de novo era imensa, mas como em segundos, Elvis tinha crescido. Não era nada afinado, como uma ironia da vida, talvez fosse por causa da adolescência, ou talvez por causas da gripe que não passava com o fim do inverno. Helena pensava em seu destino, talvez fosse atropelada nas ruas em um dia de chuva como aquele. Ela pensava em poças d'água e pensava que o bobo que brincava com fósforos com ela não estava mais ao seu lado. Tinha sumido como em segundos também. Estava sozinha com Elvis, e alguns sopros de sonhos e desejos. O que seria dela sem sonhos e desejos. Ela era a água que caia e pensava que poderia começar tudo de novo, deitada no chão do banheiro, sem se preocupar com a sopa requentada e o menino que voltava da escola naquele dia chuvoso. O que ela seria se não fosse o que é? Ela continuava a tentar decifrar o que estava escrito em braile sobre a sua pele deitada no chão do banheiro.



p.s.: Braile - Regina Spektor

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